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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Valorização de produto alimentício é ponto forte no modelo italiano



Consórcio agroindustrial aplicado na Emilia-Romagna, região da Itália, foi apresentado aos produtores do noroeste do Paraná com o objetivo de incentivar o desenvolvimento do setor

O Sebrae/PR enxerga a valorização de produtos no segmento agroalimentar como uma oportunidade. A afirmação é da coordenadora estadual de Agronegócio da entidade, Andreia Claudino, que acompanhou a visita de especialistas italianos a Maringá, que desembarcaram no município com o objetivo de capacitar produtores de micro e pequenos empreendimentos. A ação é fruto de um convênio de cooperação internacional entre o Sebrae/PR;  a Região da Emilia-Romagna, na Itália; e a Lega Nazionale delle Cooperative e Mutue (Legacoop).

A ideia da cooperação entre Paraná e Emilia-Romagna, segundo Andreia Claudino, é promover a transferência de conhecimento e agregar valor a produtos e processos agroalimentares provenientes de empreendimentos da região noroeste do Paraná.  “Firmamos parceria com a Emilia-Romagna devido a características similares com o Paraná em aspectos culturais, por termos muitos descendentes de italianos, e também por ambos contarem com expressivo número de micro e pequenas empresas no segmento alimentício”, explicou.

No Brasil, o consórcio agroindustrial, comum em países da Europa, é um assunto ainda pouco discutido. “Com a capacitação, mostramos as oportunidades de mercado para os produtores que unem forças e apostam no associativismo. Esperamos ter estimulado o interesse pelo aperfeiçoamento. Além disso, vamos auxiliar no processo de articulação de projetos-piloto que tenham como base o modelo italiano”, salientou a coordenadora estadual.

O consultor do Sebrae/PR, Joversi Luiz de Rezende, salientou que, entre questões de qualidade, fiscalização e gestão, os italianos também apresentaram dois casos de sucesso: Parmeggiano-Reggiano e Prosciutto de Parma. “Percebemos que a experiência italiana ‘despertou’ os produtores para as tendências do mercado mundial, que é altamente dinâmico, variável em preços e que apresenta muitas necessidades de consumo”, enfatizou Joversi Rezende.

Consórcio
Diferente dos modelos de associativismo e cooperativismo, o consórcio é uma empresa privada que atua com foco nas pequenas empresas e na formação de redes agroindustriais para agregar valor aos produtos, destacando a marca em âmbito nacional, e não apenas regional.

Giulio Benvenuti, um dos palestrantes e representante da Emilia-Romagna, explicou que, no modelo italiano, os produtores se responsabilizam apenas pela produção, enquanto o consórcio administra e verifica se os produtos se enquadram nas exigências legais e de mercado. “Com o trabalho em conjunto, é possível diminuir custos e obter produtos mais baratos, que ganham mais mercado”, completou Giulio Benvenuti.

O processo para agregar valor aos produtos, de acordo com o palestrante, depende do mercado e do que o produtor é capaz de produzir para atender a demanda. No Brasil, por exemplo, o italiano percebe que o produtor precisa aprender a analisar o mercado e as necessidades de consumo para ser capaz de projetar uma oferta de qualidade na medida em que possa atender a demanda.

“No mundo, as pequenas empresas que almejam o crescimento tendem a se organizar em trabalhos conjuntos, como o modelo de consórcio, para se fortalecerem e conseguirem projetar o produto e a marca em âmbito nacional ou internacional. Se permanecerem sozinhas, continuarão vendendo apenas regionalmente”, alertou o especialista.

De acordo com a palestrante italiana, Paola Fabbri, os principais requisitos exigidos pelo mercado global são a segurança alimentar e a rastrebilidade – procedência de toda a cadeia produtiva. “Para os brasileiros alcançarem o mercado europeu, é preciso seguir a regulamentação exigida pelos países importadores. A Europa tem comprado mais matéria-prima do que produtos industrializados do Brasil, porque estes ainda precisam atingir a qualidade e a padronização europeia”, esclareceu Paola Fabbri.

Adaptação
Jefferson Miake, administrador do laticínio Monte Fuji, do município de Doutor Camargo, participou da capacitação e recebeu a visita dos italianos na agroindústria. Ele considerou as explanações bastante produtivas, mas ressaltou que algumas diferenças culturais precisam ser analisadas para a adequação, na prática, do modelo de consórcio italiano no Brasil.

“Os brasileiros veem o vizinho como concorrente e não como associado. Essa mentalidade é cultural e, em minha opinião, é a nossa maior dificuldade. Teríamos de ver um modo de derrubar esse paradigma”, argumentou Jefferson Miake.

Durante a visita, ele disse que recebeu dicas e orientações sobre segurança alimentar. “Sigo as normas alimentícias brasileiras, que não são iguais as da Itália até por diferenças de realidade e clima, mas é interessante aproveitarmos práticas italianas para aprimorarmos os nossos procedimentos”, completou o administrador.  

Em Maringá, a capacitação contou com 100 participantes provenientes de agroindústrias da Região, técnicos de entidades e representantes do poder público do agronegócio. No Paraná, os italianos ainda vão percorrer as cidades de Cascavel, nos dias 5 e 6; Pato Branco, 9 e 10; e Curitiba, 11 e 12. 

Foto: A coordenadora estadual de Agronegócio do Sebrae/PR, Andreia Claudino, fez uso da palavra durante a capacitação.
Crédito: Divulgação

Sobre o Sebrae/PR
O Sebrae/PR - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Paraná é uma instituição sem fins lucrativos que foi criada para dar apoio aos empresários de pequenos negócios e aos empreendedores interessados em abrir micro e pequenas empresas. No Brasil, são 27 unidades e 750 postos de atendimentos espalhados de norte a sul. No  Paraná, cinco regionais e 11 escritórios. A entidade chega aos 399 municípios do Estado por meio do  atendimento itinerante, pontos de atendimento e de parceiros como associações, sindicatos, cooperativas, órgãos públicos e privados. O Sebrae/PR oferece palestras, capacitações empresariais, treinamentos, projetos, programas e soluções empresariais, com foco no empreendedorismo, setores estratégicos, políticas públicas, tecnologia e inovação, orientação ao crédito, acesso ao mercado, internacionalização, redes de cooperação e programas de lideranças.

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